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06 novembro, 2010
Livro : Sabbath's Theater (Philip Roth)

16 outubro, 2010
Livro : La Carte et le Territoire (Michel Houellebecq)

Este, quer seja por cinismo (como alguma critica parece apontar), quer por real vontade de fazer algo um pouco diferente, quebra um pouco essa tendência e é uma sátira ao mundo da arte e da fama, não deixando no entanto de fora os temas habituais do autor, como as relações familiares, ou o presente e futuro geopolítico. Contando a história da vida adulta de uma artista plástico, um tal Jed Martin, um tipo com poucos sentimentos e ambições, que se vê, um pouco sem perceber como, cheio de sucesso de repente. Pelo caminho o autor aproveita para colocar alguns amigos (e inimigos) como personagens, começando por um delicioso Frédéric Beigbeder, e terminando numa muito confusa e divertida versão dele próprio.
E digo-vos que a coisa resulta. É, para variar, uma leitura tão agradável e deliciosamente divertida, que até tive de me obrigar a ler devagar para melhor o apreciar. Esperemos que a tradução não demore muito...
19 setembro, 2010
Livro : Para Interromper o Amor (Mónica Marques)

P.S. - Para os recém chegados a estas paragens, que provavelmente ficaram com uma data de pontos de interrogação à frente da testa, recomendo uma pesquisa pelo nome da autora naquela caixinha lá em cima...
14 agosto, 2010
Livro : Caderno Afegão (Alexandra Lucas Coelho)

Alexandra Lucas Coelho é jornalista do Publico e foi o ano passado passar cerca de um mês ao Afeganistão. Muitos dos artigos que então publicou no jornal encontram-se aqui incluídos, mas acrescidos de muito mais detalhes e entusiasmo pessoais e de uma continuidade de viagem que se perde com as quebras. A escrita é simples e assertiva, sem qualquer necessidade de recorrer a efeitos de estilo, e apresenta de forma perfeitamente isenta e eficiente, a vida no Afeganistão ocupado, através de encontros com inúmeras pessoas que lá vivem, quer sejam militares, políticos locais, membros de ONGs ou simplesmente locais. Tudo sem cair por um segundo sequer no facilitismo ou no sentimento melodramático, que poderia com toda a facilidade abundar. A autora tem ainda uma facilidade incrível em transmitir a beleza que o pais deve ter, principalmente na sua parte final. Uma autêntica revelação...
Destaque ainda para as belas fotografias que nos permitem transcender a nossa imaginação e ver as coisas, pessoas e locais que o livro descreve, e que se podem encontrar no site oficial.
24 março, 2010
Livro : Cordilheira (Daniel Galera)

Este Galera é mais um dos jovens autores Brasileiros que estão a dar de falar. Já por cá tinha sido editado Mãos de Cavalo (que me tinha deixado muito curioso), mas foi a este que não consegui mesmo resistir, talvez um pouco impulsionado pela chancela do prémio Machado de Assis. E que escolha mais acertada...
Uma jovem escritora de sucesso, com apenas um livro editado e muito pouca vontade de escrever o seguinte, decide que o seu próximo objectivo de vida é ter um filho. Uma vez que o seu parceiro do momento não quer, ou não se considera pronto, e aproveitando uma viagem para lançamento de uma edição traduzida, acaba por ficar uns tempos por Buenos Aires, onde conhece um pequeno grupo de intelectuais literários.
Curto mas tremendamente bem escrito - está carregado de frases que me fizeram parar, reler e maravilhar-me - deixa-se devorar com muita facilidade, mas sem nunca poder ser considerado "fácil". Encontro aqui algo de bastante Bolañeano (o autor é inclusivamente referido), não só no ambiente Sul Americano muito bem conseguido (fiquei com imensa vontade de visitar a cidade), mas principalmente nas obsessões literárias das personagens, e até onde estão dispostas a ir por elas. Mas detractores (que os há) não precisam de se assustar, porque aqui não há as provas de fogo de paciência a que o autor Chileno nos habituou nas suas maiores obras. Muitíssimo recomendado...
19 julho, 2009
Livro : Barroco Tropical (José Eduardo Agualusa)

Passando-se em Luanda em 2020, o livro vai alternando capítulos vistos do ponto de vista de um tal Bartolomeu Falcato, romancista de sucesso e sem papas na língua (e claro alter ego de Agualusa), e Núbia de Matos, uma cantora também ela de sucesso, e amante ocasional do primeiro. A trama é demasiado complexa para a tentar sequer resumir aqui, principalmente quando juntamos uma quantidade muito considerável de incríveis personagens secundárias (e que nos são formalmente apresentados de forma muito teatral). Digamos apenas que a colocação da narrativa no futuro, tem por objectivo a hipérbole do presente, nomeadamente ao nível daquilo que (imagino) seja a politica e a corrupção em Angola.
Como nos anteriores livros, Agualusa mistura de forma assombrosa a ironia com a realidade e as lendas. Tão depressa temos momentos de brilhante humor, como episódios verdadeiramente viscerais. Talvez seja mesmo por esta permanente mudança de registo que possa não ser considerado formalmente como o melhor livro do autor, mas sinceramente, foi o que gostei mais até hoje, e também no qual se nota claramente o enorme gozo que Agualusa terá tido ao escrevê-lo.
06 junho, 2009
Livro : A Ninfa Inconstante (Guillermo Cabrera Infante)

Este Cabrera Infante deve ter sido um grande malandreco... De origem Cubana, foi critico de cinema no início da vida, e exilou-se na Europa nos anos 60, onde viveria o resto da sua vida (deixou-nos em 2005). Este livro é uma memória de uma paixão por uma rapariga de 16 anos (a ninfa do título) que durou pouco mais de um verão, mas que ficou para sempre gravada na memória do autor, que escreveu este livro pouco antes da sua morte. É assim com 40 ou mais anos de distância que o autor evoca tanto esta paixão pintada de noir, como a Havana desse tempo, os seus amigos e os espaços, muitos deles entretanto desaparecidos.
Para além do belo exercício de memória, é sobretudo a linguagem que me fez adorar este livro. De um ritmo absolutamente musical e erótico, mistura várias linguas e montanhas de referências culturais, e faz um uso magistral dos jogos de palavras. Uma excelente surpresa que parece ser apenas o levantar do véu de todos os livros do autor que iram ser publicados pelos seus descendentes durante os próximos anos. Esperemos portanto que a Quetzal dê continuidade a esta aposta, e mantenha os elevados padrões de tradução e edição aqui apresentados.
11 maio, 2009
Búbú na Feira do Livro

A primeira reacção, ao ver a maré de gente a comer farturas e a passear trolleys (como se nunca tivesse andado nessa vida), foi muito próxima do pânico. Mas a causa era boa e não podia desistir ao primeiro obstáculo, e o tempo até parecia estar a dizer para eu me deixar ficar. Nas minhas deambulações (no sítio onde deveria estar a Mónica Marques, estava misteriosamente o Francisco José Viegas, a quem agradeço todos os meses a Ler) fui parar ao stand da Leya que parece querer transformar a Feira em mais um centro comercial e onde a confusão ainda era maior. Mas estava lá o Gonçalo M. Tavares (que é provavelmente o meu autor Português preferido), e havia um livro novo d'O Bairro (O Senhor Swedenborg), e aproveitei para me confessar um fanboy absoluto da obra dele e pedir um autógrafo. Perguntou-me qual o meu livro preferido dele (que é o Aprender a Rezar...) e que por acaso também é o que ele considera o seu melhor. Fiquei também a saber que está em fase de "limpeza" do seu novo romance que espera editar até ao final do ano. Venha ele...
De regresso ao stand da Quetzal, cruzei-me com o José Eduardo Agualusa e fiquei com a pulga atrás da orelha... Mas lá consegui encontrar a Mónica (o Francisco José ainda lá estava) e ficar com uma dedicatória verdadeiramente única, a qual nunca revelarei publicamente, nem sob tortura em Guantanamo. Mas a pulga do Agualusa não me largava e lá voltei à Leya para ver se ainda o apanhava. E lá estava! Dei-lhe um livro para autografar e ele ofereceu-me churros e apresentou-me os amigos, à melhor maneira Angolana. Os ditos amigos eram o João Tordo (a quem agradeci os livros que escreveu e de que gostei muito) e o Miguel Gullander (que não conhecia, mas de quem trouxe o Perdido de Volta, dada a recomendação efusiva). Quanto ao novo do Agualusa está aí a rebentar...
Apesar da grande confusão, o balanço foi extremamente positivo, tendo-me permitido adquirir uma data de livros autografados, e fazer este pequeno exercício em name dropping compulsivo (ainda lá vi o Bruno Nogueira e o Maestro Vitorino de Almeida). A feira segue até ao próximo fim-de-semana. No sítio do costume...
22 abril, 2009
Livro : Machine Man (Max Barry)

Para o seu 4º livro, o Machine Man do título, Barry decidiu inovar e "oferecer" (ou quase) o livro a quem o quiser, mas ao ritmo de uma página por dia, entregue directamente na caixa de email do destinatário. A história anda à volta de um empregado de uma empresa que perde uma perna num acidente de trabalho, e diria (ainda não cheguei lá) que terá algo a ver com a substituição dessa perna por algo de robótico e extremamente avançado. O próprio autor não sabe muito bem como acaba, dado que ele mesmo está a escrever a coisa a este ritmo. Quando estiver convencido que a coisa realmente vale alguma coisa, é provável que pare o free trial e peça aos seus leitores cerca de 7 dolares para ler o resto...
Curiosamente, e apesar de entregas diárias tão pequenas, o modelo parece-me funcionar muito bem, e obriga Barry a ser muito sucinto, o que me parece beneficiar muito a sua escrita irónica. A coisa começa aqui e ao final de algumas páginas poderão registar-se para ir recebendo o resto.
10 abril, 2009
Livro : Pastoral Portuguesa (Rogério Casanova)

Como já devem ter compreendido (se acaso seguiram o link acima para verem do que estava a falar), o ente que se auto-denomina Rogério Casanova, faz parte dessa raça pouco recomendável que se chama bloggers. Para além disso, escreve em alguma imprensa, como o jornal Expresso, a revista Ler (não me posso esquecer do texto hilariante que aí publicou sobre o dia em que conheceu o grande Martin Amis), e até a Time Out. Diz a a contracapa do livro que nasceu em 1980 (o que, como o nome, só pode ser mentira), o que o faz 12 anos mais novo do que eu.
Dono de uma cultura literária impressionante (a qual demonstra na primeira parte desta recolha), e do tal sentido de humor retorcido e cheio de referências pop (que demonstra principalmente na segunda), escreve tão bem que me deixa a sentir mesmo muito pequenino, aqui neste cantinho da blogosfera a mandar os meus bitates sobre as coisas que gosto.
14 março, 2009
Livro : O Dia Mastroianni (João Paulo Cuenca)

Entre a leitura da Transa Atlântica e a revelação de passada 2ª feira, aproveitei a viagem a Coimbra para acabar A Derrocada da Baliverna do Dino Buzzati (que é muito bom, mas achei um pouco repetitivo em termos temáticos) e para devorar este pequeno livro deste jovem autor Brasileiro.
O Livro relata 24 horas alucinantes na vida de dois amigos, sem objectivos nem ambições que sigam além de viver cada dia ao máximo. Cuenca escreve em velocidade, tem muito estilo nos diálogos, e domina a arte de transformar a falta de sentido em algo profundo e tocante. É o estilo de livro pelo qual teria ficado completamente apaixonado se me tivesse aparecido à frente há uns 20 anos atrás. No presente, divertiu-me muito mais do que deveria ser permitido pela lei e deixou-me a querer MAIS. Esperemos que a Caminho tenha a decência de editar o seu primeiro livro - Corpo Presente - em breve...
10 março, 2009
Equilibrio

Fui almoçar aos Armazéns do Chiado e quando dei a minha refeição / leitura por terminada, pego no casaco que tinha colocado nas costas da cadeira e reparo que estava mais leve do que o habitual. Vou imediatamente verificar se a carteira estava no bolso e verifico que desapareceu. Ainda fiz algumas verificações: junto de pessoas sentadas perto de mim, das senhoras que limpam os tabuleiros, da empregada do restaurante onde comprei a refeição, dos seguranças do centro, mas sem qualquer resultado. Toca a andar para a esquadra da polícia (a 2ª - no Terreiro do Paço - onde já tinha estado anteriormente por assalto no Rossio - história que ficará para contar outro dia), e passar 2 horas para cancelar cartões bancários (e ser roubado novamente) e registar o sucedido (a demora não foi da responsabilidade do agente, que para além de me atender, era telefonista e posto de informações). Eu sei que fui estúpido, e o pior é que antes de me sentar considerei passar a carteira para o bolso das calças, mas como eram de fato não as queria deformar. Também sei que está longe de ser a pior coisa que pode acontecer a uma pessoa, mas que chateia e disturba não há dúvida (e ainda não comecei a epopeia do pedido dos documentos).
Agradeci depois a não sei muito bem quem (talvez a mim próprio), ter o meu passe no bolso da camisa, porque se assim não fosse teria de pedir a alguém que me fosse buscar à esquadra, ou ir a pé, que não sendo uma coisa má (gosto muito de andar) não é praticável em termos de tempo. Fui ao emprego, onde estive duas horas sem condições mentais mínimas para trabalhar (mas tentei), e voltei para casa. Algum tempo depois fiz a posta anterior a esta. Se ainda não a leram, façam o favor de a ler, porque não escrevo para o galheiro. E já agora vão comprar o livro à livraria mais próxima porque vale a pena.
30 minutos depois recebi um email da Mónica Marques:
"Olá Bruno,
Ou diria Bubu?
Muitos muitos beijos
Sou eu a Mónica
ou diria Mómó?
O livro é desordenado, como eu. E isto que nos aconteceu é uma coisa maravilhosa."
Se tinha caído de 4 com as referências à minha rua, com esta caí de 8, 16, 32, etc. Senti um turbilhão no cérebro e um monte de memórias há muito enterradas a virem todas juntas para a minha cabeça. A Mónica era a minha vizinha do andar de cima, e foi minha "namorada" para aí entre os 5 e os 7 anos (que alguém me corrija se estiver errado), isto até àquela altura em que os putos (estúpidos) decidem deixar de gostar de raparigas (muito temporariamente), em que decidi romper com o namoro sem razão aparente. Alguns anos mais tarde mudou de casa (ainda lá fui um par de vezes), e depois perdi contacto. Acho que já lá vão uns 30 anos...
Se o bom do Shakespeare dizia (e tudo me leva a crer com razão): "Hell hath no fury like a woman scorned", peço-te que aceites as minhas desculpas, e espero que não te tenha traumatizado muito. E já agora que a tua vingança seja suave...
Fotografia: Alquin
09 março, 2009
Livro : Transa Atlântica (Mónica Marques)

Apesar de um pouco desordenado (intencionalmente diria eu), está muito bem escrito, e fez-me sorrir inúmeras vezes (o que é bastante difícil nos dias que correm). Mesmo com muitas referências perdidas (sou um verdadeiro zero em cultura Brasileira), devorei o livro num só dia, e fiquei com vontade de ler mais. Só então reparei que a autora, por acaso até tem um blog, chamado Sushi Leblon e que é também muito recomendável. E contrariamente às minhas expectativas, a mestiçagem entre o Pt-Pt e o Pt-Br funciona que é uma maravilha. Se o Caetano dizia há uns tempos que "Falta promiscuidade entre Portugal e Brasil", eu digo "Toma lá, Caetano!".
Uma curiosidade adicional: se uma referência à Escola Secundária de Benfica (onde andei do 7º ao 9º ano) me tinha deixado divertido, quando li "Os meus pais foram passar a lua-de-mel à Madeira de onde voltaram para a casa da Avenida do Uruguai, em Benfica, ao lado da pastelaria Carripana e da frutaria do Senhor Silva" caí de quatro. É que eu morei no prédio provavelmente contiguo. Bem que a foto da autora me parecia familiar...
02 março, 2009
Livro : Crime (Irvine Welsh)

Este foge um bocado à norma, quando troca a paisagem da Escócia urbana natal do autor, pela Florida de Miami, e se aproxima na trama de um policial negro do Andrew Vachss (que também lia há uns anos largos com muito agrado). Mas a personagem principal, um policia Escocês chamado Ray Lennox (que já aparecera em Filth), de férias semi forçadas pelos excessos resultantes de um caso difícil com um predador pedófilo, e a tentar acertar pormenores do seu casamento, é 100% Welsh. Na linguagem, no amor pelos Hearts, na emoção com que vive a vida, nos segredos que tem bem guardados no seu baú e que vêm a luz do dia antes do final do livro. Como não poderia deixar de ser, depois de um desacato com a noiva, acaba por cair sem saber muito bem como num circulo organizado de pedófilos, e entra em cruzada pela salvação de uma criança de 10 anos...
Fiquei um pouco indeciso entre duas possibilidades: ou este é o primeiro livro de uma nova fase de Welsh, mais maduro e mais recatado, mas mantendo a coragem de tocar em temas de que a maioria dos autores foge a sete pés, ou então é uma forma algo cínica de tentar conquistar mercado nos Estado Unidos recorrendo ao género do thriller. Independentemente de motivos, o facto é que gostei do livro, apesar de muito longe do coup de force de Marabou Stork Nightmares, está bem escrito e satisfaz.
26 fevereiro, 2009
Filme : Coraline

Segundo me diz o Anobii (aquela coisa na barra lateral que vos diz que livros eu tenho lido), o autor de que tenho mais livros é o Neil Gaiman. Isto justifica-se não pelo facto de ser o meu autor favorito, mas sim pelo facto de ser dos poucos autores que começou na BD (onde o descobri graças ao fabuloso Sandman) e que conseguiu fazer a passagem para a literatura com sucesso. Também não o considero um grande autor, apesar de um principio de carreira na literatura com dois excelentes livros (Neverwhere e American Gods), a produção posterior apresenta-o um pouco preso no género da fantasia e sem grande vontade de avançar para outras paragens. Independentemente disso, o facto de ter uma imaginação inigualável, tem-me feito voltar a cada novo livro. A notícia que o seu Coraline ia ser adaptado ao cinema por Henry Selick, realizador do meu filme de animação favorito (The Nightmare Before Christmas), deixou-me imediatamente a salivar.
Mas confesso que me senti um pouco desiludido com o resultado final. Mesmo se o design de personagens e cenários é brilhante, e a realização está à altura do trabalho anterior de Selick, parece-me faltar algum ritmo ao filme. O facto de já conhecer a história pode ter roubado um pouco do efeito surpresa, e também pode ter sido graças à "maravilhosa" moda do 3D, em que me estreie, e que me parece distrair mais do que ajudar a embrenhar. No entanto tem pelo menos duas sequências que me deixaram completamente maravilhado (a descoberta do jardim e a final) e que me parecem suficientes para justificar o visionamento do filme. ( 4 / 5 )
14 janeiro, 2009
Livro : Crooked Little Vein (Warren Ellis)

Michael McGill é um detective privado que tem o poder de atrair os casos mais estranhos e escabrosos que existem à face da terra (shit magnet é o termo). O trabalho que lhe é oferecido pelo chief of staff viciado em heroina no início do livro é encontrar a Outra Constituição dos EUA, teoricamente escrita à mão pelos Founding Fathers, encadernada com a pele do extraterrestre que andou a sodomizar o Benjamin Franklyn durante 6 noites em Paris, e que anda em parte incerta desde os anos 50. No início da sua investigação (numa sala de cinema dedicada ao Godzilla bubbake) Michael conhece Trix - uma pós-adolescente com uma libido insaciável - e juntos partem numa odisseia de costa a costa à procura do livro, em episódios uns mais estranhos que os outros (que incluem: clubes dedicados a injecções de agua do mar nos órgãos sexuais, butt plugs com a figura do menino jesus, sexo tântrico entre avestruzes).
A coisa faz muito pouco sentido mas está escrita com a habitual dose de diálogos brilhantes e situações de humor chocante que quem lê Ellis em BD estará habituado. A mistura do policial negro clássico com o estilo road movie e com a investigação que o autor faz sobre todas as depravações encontradas na internet também funciona muito bem. Devorei o livro em 2 dias e diverti-me como uma avestruz.
07 janeiro, 2009
Livro : The White Tiger (Aravind Adiga)

23 dezembro, 2008
Livro : Things the Grandchildren Should Know (Mark Oliver Everett)

Conhecido entre os amigos simplesmente por E, este Mark Oliver Everett é o responsável por uma banda de alinhamento muito variável que dá pelo nome de Eels, e este é o primeiro volume das suas memórias. Pode parecer um pouco estranho o moço sentir necessidade de contar ao mundo aquilo porque passou até hoje, mas tenho de lhe dar toda a razão ao dizer que não sabe o que o espera amanhã, e como único sobrevivente da sua família, faz todo o sentido que tenha uma visão muito realista da vida (ou do fim dela).
O livro vem confirmar aquilo que quem goste da banda já suspeitava: E é um músico incrivelmente integro, que não se preocupa com fazer a música que os outros (sejam eles quem forem) estão à espera que faça. Como resultado principal dessa integridade, o lançamento de quase todos os seus discos foi uma batalha cerrada com as suas editoras, mas ele nunca cedeu um centímetro nas suas ideias. Ele faz e sempre fez música porque é o seu escape. É a única coisa que o ajuda em momentos em que se sente infeliz e parece ser toda a razão da sua existência. Mas o livro não se esgota com esta faceta. Muito mais interessante é toda a perspectiva que E tem da vida e dos seus valores. E é claro que está pejado de pequenas pérolas de bastidores, como a descrição de uma tentativa de dueto à distância com Tom Waits.
Quanto à escrita, E tem a perfeita noção que não é um escritor profissional, e por esse motivo opta inteligentemente por uma forma muito próxima do coloquial, na qual o seu sentido de humor e ironia conseguem brilhar, fazendo com que o livro se torne completamente devorável. Totalmente obrigatório para quem goste da banda, muito recomendado para as restantes pessoas.
O livro vem confirmar aquilo que quem goste da banda já suspeitava: E é um músico incrivelmente integro, que não se preocupa com fazer a música que os outros (sejam eles quem forem) estão à espera que faça. Como resultado principal dessa integridade, o lançamento de quase todos os seus discos foi uma batalha cerrada com as suas editoras, mas ele nunca cedeu um centímetro nas suas ideias. Ele faz e sempre fez música porque é o seu escape. É a única coisa que o ajuda em momentos em que se sente infeliz e parece ser toda a razão da sua existência. Mas o livro não se esgota com esta faceta. Muito mais interessante é toda a perspectiva que E tem da vida e dos seus valores. E é claro que está pejado de pequenas pérolas de bastidores, como a descrição de uma tentativa de dueto à distância com Tom Waits.
Quanto à escrita, E tem a perfeita noção que não é um escritor profissional, e por esse motivo opta inteligentemente por uma forma muito próxima do coloquial, na qual o seu sentido de humor e ironia conseguem brilhar, fazendo com que o livro se torne completamente devorável. Totalmente obrigatório para quem goste da banda, muito recomendado para as restantes pessoas.
17 novembro, 2008
Livros : Livrólicos Anónimos
Mais uma vez a falta de tempo não me deixa dar o destaque ideal aos livros que vou lendo e gostando. "Se este gajo não tem tempo, como é que consegue ler tanto livro?" poderão perguntar e com todo o direito. O facto é que aproveito todo e qualquer bocadinho de tempo que tenho para o fazer! Ele é pequeno almoço, casa de banho, etc. E se por acaso me encontrarem na rua, é capaz de não valer grandemente a pena chamarem por mim porque o mais provável é estar a andar, ler e ouvir música ao mesmo tempo! Digam lá se isto não muda o vosso conceito de alienado!
Numa tentativa de mudar um pouco a falta de tempo, estou a experimentar escrever estas linhas no meu telemóvel a bordo de um autocarro. Se a coisa correr bem, e não ficar sem saldo no cartão, é bem possível que passe a aumentar a frequência das postas. Vamos lá a ver.
Despachando esta introdução que já vai longa (se calhar as viagens de autocarro dão-me para a verborreia): seguem os livros recomendáveis que li entre as férias e aquele de que lhes falava há dias...
The Second Plane
Martin Amis
Este pequeno livro recolhe um conjunto de textos que o autor publicou um pouco por toda a imprensa Inglesa entre 2001 e 2007, e todos ligados directa ou indirectamente ao 11 de Setembro. Temos artigos de opinião, criticas, dois contos e o famoso artigo resultante do acompanhamento que fez à vida de Tony Blair nos seus últimos dias como primeiro ministro.
Como qualquer recolha deste tipo, existem textos que me dizem mais do que outros: o conto sobre os últimos dias de Muhammad Atta, a critica ao United 93 (provavelmente o texto mais emotivo do livro, em contraste claramente intencional com o tom do filme), e o referido sobre Blair foram para mim os pontos altos. Mesmo se alguns dos textos exigem um nível de conhecimento dos assuntos Árabes, nitidamente superior ao que a minha modesta cultura possui, o prazer que a escrita de Amis me proporciona leva-me a gostar até daquilo que não percebo.
The Weight of Numbers
Simon Ings
Deste autor já tinha lido dois livros (Hot Head de 1992 e Hotwire de 1995) que se inscreviam claramente no boom cyberpunk de finais de 80 inícios de 90. Guardo boas memórias de ambos (principalmente do primeiro), mas tenho a impressão que não transcendem o género em que se enquadram. Um excelente acolhimento critico (que também se verificou por cá quando da edição nacional) levou-me a ler este que se inscreve num campeonato completamente diferente.
Uma série de personagens perdidas ao longo do século XX servem de motivo para um retrato de época muito abrangente. Por aqui passam elementos tão dispares como o programa espacial dos EUA, a psiquiatria, o tráfego humano e acompanhamos alguns momentos históricos na pele das personagens que o vivem. Destes, o mais impressionante (e não apenas pela proximidade histórica ao nosso pais) é a descrição de Moçambique em plena guerra civil após a libertação do pais.
Sendo um pouco ambicioso demais para o seu próprio bem (a multitude de personagens e momentos deixou-me por vezes um pouco baralhado), está impecavelmente bem escrito e é muito original. Dada a sua complexidade estou a considerar seriamente uma segunda leitura.
Northline
Willy Vlautin
Tal como The Motel Life de que já vos tinha falado por aqui, este 2º livro de Vlautin também fala de pessoas com vidas extremamente infelizes. Neste caso a de Allison, uma rapariga jovem que sob a influência de um namorado abusivo e white trash de extrema direita, bebe regularmente até ao esquecimento. Pouco depois do início do livro decide começar uma nova vida num novo sítio e tentar alterar o seu sofrimento constante...
A escrita de Vlautin continua seca e bonita, e ainda temos direito a uma homenagem muito tocante ao recentemente falecido Paul Newman, que faz o ideal masculino da protagonista e com quem tem diálogos imaginários muito divertidos. Um hino à esperança e à persistência da raça humana que vem confirmar um excelente autor que só podia ser Americano.
I Play the Drums in a Band Called Okay
Toby Litt
Retrato de uma banda rock de médio gabarito chamada okay, e cujos membros usam doenças venéreas como nomes artísticos (Clap, Syph, Mono e Crab), é apresentada pelo autor como uma novela em histórias curtas, que percorre a totalidade (ou quase) da sua carreira. Apesar da previsibilidade do circo do rock & roll (drogas, alcool, groupies, divergências artísticas, etc.), consegue ser bastante humano e apresentar algumas preocupações que ocorrem aos restantes dos mortais e não se limitam aos deuses do rock.
Sendo do Toby Litt, só poderia estar muito bem escrito, mas ainda não é desta que ele faz um livro que eu ache verdadeiramente genial (aliás fica uns furos abaixo de algumas outras obras da sua autoria), mas se forem suckers por este tipo de história como eu, irão certamente dar o vosso tempo como bem gasto.
We Are Now Beginning Our Descent
James Meek
Autor de um dos meus livros favoritos de 2006 (The People's Act of Love saído em 2005), Meek é um jornalista premiado com artigos sobre Guantanamo Bay ou o Iraque. É precisamente inspirado nessa experiência que coloca no papel principal desta nova novela um jornalista de guerra, colocado no Afeganistão em Outubro de 2001. Divorciado e emocionalmente instável, é aí que conhece Astrid, também ela jornalista, e com quem enceta uma relação que o vai levar à volta do mundo.
Retrato muito fiel dos nossos tempos, coloca-nos perante um conjunto de questões morais de forma brutalmente eficaz (particularmente inesquecível é uma cena de jantar entre amigos em Londres), levando-nos a questionar até que ponto o mundo ocidental representa o bem. Não sendo tão devorável como o livro anterior, confirma Meek como um autor a seguir muito de perto.
Efeito Borboleta e outras Histórias
José Mário Silva
Coordenador da secção de livros do Expresso e colaborador permanente da revista Ler, José Mário Silva já nos tinha trazido em 2001 um livro de poemas intitulado Nuvens & Labirintos. Este Efeito Borboleta é uma recolha de pequenas narrativas (publicadas maioritariamente no suplemento DNA do Diário de Notícias), que juntam com sucesso o melhor da short story com um elevado poder poético.
Totalmente impossível de enclausurar em termos de estilo ou tema, o autor consegue com uma mestria de fazer inveja, pintar autênticos quadros a partir de meia dúzia de palavras. Também muito abrangente em termos de influências, é particularmente tocante a homenagem prestada a Raymond Carver em Quatro Pregos. Mais uma revelação nas letras Portuguesas a não perder...
Man in the Dark
Paul Auster
Como vem sendo hábito nos seus livros mais recentes, Auster escolhe mais uma vez um homem de alguma idade como protagonista, desta vez preso a uma cama na sequência de um acidente de viação que o obriga a estar imobilizado. Sofrendo de insónia e para passar o tempo, Brill conta-se a si próprio uma história em que os EUA estão em plena guerra civil.
Apesar de um pouco desequilibrado e de esta história paralela parecer um pouco inútil, a segunda parte do livro em que Brill revê traumas e felicidades do seu passado na presença da sua neta representa Auster no seu melhor e salva perfeitamente a obra. Pode ainda não ser o seu novo livro ambicioso porque espero desde The Book of Illusion, mas é um grande pequeno Auster.
Numa tentativa de mudar um pouco a falta de tempo, estou a experimentar escrever estas linhas no meu telemóvel a bordo de um autocarro. Se a coisa correr bem, e não ficar sem saldo no cartão, é bem possível que passe a aumentar a frequência das postas. Vamos lá a ver.
Despachando esta introdução que já vai longa (se calhar as viagens de autocarro dão-me para a verborreia): seguem os livros recomendáveis que li entre as férias e aquele de que lhes falava há dias...

Martin Amis
Este pequeno livro recolhe um conjunto de textos que o autor publicou um pouco por toda a imprensa Inglesa entre 2001 e 2007, e todos ligados directa ou indirectamente ao 11 de Setembro. Temos artigos de opinião, criticas, dois contos e o famoso artigo resultante do acompanhamento que fez à vida de Tony Blair nos seus últimos dias como primeiro ministro.
Como qualquer recolha deste tipo, existem textos que me dizem mais do que outros: o conto sobre os últimos dias de Muhammad Atta, a critica ao United 93 (provavelmente o texto mais emotivo do livro, em contraste claramente intencional com o tom do filme), e o referido sobre Blair foram para mim os pontos altos. Mesmo se alguns dos textos exigem um nível de conhecimento dos assuntos Árabes, nitidamente superior ao que a minha modesta cultura possui, o prazer que a escrita de Amis me proporciona leva-me a gostar até daquilo que não percebo.

Simon Ings
Deste autor já tinha lido dois livros (Hot Head de 1992 e Hotwire de 1995) que se inscreviam claramente no boom cyberpunk de finais de 80 inícios de 90. Guardo boas memórias de ambos (principalmente do primeiro), mas tenho a impressão que não transcendem o género em que se enquadram. Um excelente acolhimento critico (que também se verificou por cá quando da edição nacional) levou-me a ler este que se inscreve num campeonato completamente diferente.
Uma série de personagens perdidas ao longo do século XX servem de motivo para um retrato de época muito abrangente. Por aqui passam elementos tão dispares como o programa espacial dos EUA, a psiquiatria, o tráfego humano e acompanhamos alguns momentos históricos na pele das personagens que o vivem. Destes, o mais impressionante (e não apenas pela proximidade histórica ao nosso pais) é a descrição de Moçambique em plena guerra civil após a libertação do pais.
Sendo um pouco ambicioso demais para o seu próprio bem (a multitude de personagens e momentos deixou-me por vezes um pouco baralhado), está impecavelmente bem escrito e é muito original. Dada a sua complexidade estou a considerar seriamente uma segunda leitura.

Willy Vlautin
Tal como The Motel Life de que já vos tinha falado por aqui, este 2º livro de Vlautin também fala de pessoas com vidas extremamente infelizes. Neste caso a de Allison, uma rapariga jovem que sob a influência de um namorado abusivo e white trash de extrema direita, bebe regularmente até ao esquecimento. Pouco depois do início do livro decide começar uma nova vida num novo sítio e tentar alterar o seu sofrimento constante...
A escrita de Vlautin continua seca e bonita, e ainda temos direito a uma homenagem muito tocante ao recentemente falecido Paul Newman, que faz o ideal masculino da protagonista e com quem tem diálogos imaginários muito divertidos. Um hino à esperança e à persistência da raça humana que vem confirmar um excelente autor que só podia ser Americano.

Toby Litt
Retrato de uma banda rock de médio gabarito chamada okay, e cujos membros usam doenças venéreas como nomes artísticos (Clap, Syph, Mono e Crab), é apresentada pelo autor como uma novela em histórias curtas, que percorre a totalidade (ou quase) da sua carreira. Apesar da previsibilidade do circo do rock & roll (drogas, alcool, groupies, divergências artísticas, etc.), consegue ser bastante humano e apresentar algumas preocupações que ocorrem aos restantes dos mortais e não se limitam aos deuses do rock.
Sendo do Toby Litt, só poderia estar muito bem escrito, mas ainda não é desta que ele faz um livro que eu ache verdadeiramente genial (aliás fica uns furos abaixo de algumas outras obras da sua autoria), mas se forem suckers por este tipo de história como eu, irão certamente dar o vosso tempo como bem gasto.

James Meek
Autor de um dos meus livros favoritos de 2006 (The People's Act of Love saído em 2005), Meek é um jornalista premiado com artigos sobre Guantanamo Bay ou o Iraque. É precisamente inspirado nessa experiência que coloca no papel principal desta nova novela um jornalista de guerra, colocado no Afeganistão em Outubro de 2001. Divorciado e emocionalmente instável, é aí que conhece Astrid, também ela jornalista, e com quem enceta uma relação que o vai levar à volta do mundo.
Retrato muito fiel dos nossos tempos, coloca-nos perante um conjunto de questões morais de forma brutalmente eficaz (particularmente inesquecível é uma cena de jantar entre amigos em Londres), levando-nos a questionar até que ponto o mundo ocidental representa o bem. Não sendo tão devorável como o livro anterior, confirma Meek como um autor a seguir muito de perto.

José Mário Silva
Coordenador da secção de livros do Expresso e colaborador permanente da revista Ler, José Mário Silva já nos tinha trazido em 2001 um livro de poemas intitulado Nuvens & Labirintos. Este Efeito Borboleta é uma recolha de pequenas narrativas (publicadas maioritariamente no suplemento DNA do Diário de Notícias), que juntam com sucesso o melhor da short story com um elevado poder poético.
Totalmente impossível de enclausurar em termos de estilo ou tema, o autor consegue com uma mestria de fazer inveja, pintar autênticos quadros a partir de meia dúzia de palavras. Também muito abrangente em termos de influências, é particularmente tocante a homenagem prestada a Raymond Carver em Quatro Pregos. Mais uma revelação nas letras Portuguesas a não perder...

Paul Auster
Como vem sendo hábito nos seus livros mais recentes, Auster escolhe mais uma vez um homem de alguma idade como protagonista, desta vez preso a uma cama na sequência de um acidente de viação que o obriga a estar imobilizado. Sofrendo de insónia e para passar o tempo, Brill conta-se a si próprio uma história em que os EUA estão em plena guerra civil.
Apesar de um pouco desequilibrado e de esta história paralela parecer um pouco inútil, a segunda parte do livro em que Brill revê traumas e felicidades do seu passado na presença da sua neta representa Auster no seu melhor e salva perfeitamente a obra. Pode ainda não ser o seu novo livro ambicioso porque espero desde The Book of Illusion, mas é um grande pequeno Auster.
05 novembro, 2008
Livro : Once Upon a Time in England (Helen Walsh)

Este segundo livro de Helen Walsh conta-nos a história de uma família atómica multi-racial (a mãe Malaia, o pai Irlandês cenoura, e os filhos uma bela mistura) ao longo de duas décadas (70 e 80). Neste intervalo de tempo há de tudo um pouco: nascimentos, dificuldades financeiras, traições, divórcios, crias na má vida, etc, mas consegue sempre fugir ao estereotipo e ao cliché. Começa e acaba com acasos de violência que alteram completamente a família e a sua forma de ver a vida. É sem dúvida um fiel retrato da época, mas em vez de se perder em nostalgia, tem mais tendência a fazer-nos agradecer que esse tempo tenha passado, mesmo apesar de os problemas que o livro retrata (principalmente o do racismo) ainda estarem longe de estar resolvidos nos nossos tempos.
Se no seu livro anterior (Brass de 2004) a atitude "Sex and Drugs and Technohouse" a apresentava como uma versão feminina do Irvine Welsh, com este livro a autora livra-se totalmente desse estigma. Tal como Robbie diz a meio do livro ao seu filho Vincent ("Write what you know. That way it will ring true."), Walsh escreve sobre o que conhece. Ela mesmo é filha de um casal com as mesmas caracteristicas que o do livro, e nota-se que a grande carga emocional do livro vem do seu mais intimo, resultando personagens verdadeiramente credíveis com que se consegue criar uma grande empatia. Quanto à prosa, sendo esparsa em enfeites, é extremamente eficaz e atinge momentos de uma esmagadora beleza.
Um Grande livro triste como já não lia há muito tempo...
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