25 novembro, 2007

Fim de Semana em Madrid

Fui passar o fim de semana a Madrid. Tinha uma impressão bastante negativa da cidade por só ter ido lá em trabalho, mas confesso ter vindo de lá muito contente (ou como eles diriam encantado)...

Passei pelo Reina Sofia para ver a exposição da Paula Rego (altamente recomendável), e aproveitei para atirar os olhos à Guernica e a uma data de obras do Picasso, do Dali e do Miró.

Longos passeios a pé pelo Passeo del Prado e pela Gran Via e shopping spree na Calle Preciados e arredores (como sou muito generoso para mim limitei-me a meia dúzia de livritos - o grosso da despesa foi obviamente para as kidas).

Não há como os próprios Espanhóis para reconhecerem a dificuldade que sentem em aprender a língua dos outros...

22 novembro, 2007

Disco : Dionysos - La Mécanique du Coeur


Já por aqui tinha falado destes senhores em referência ao seu disco anterior (Monsters in Love). E se esse foi um dos meus discos preferidos de 2005, este também já o é para 2007. Os Dionysos são originários de Valence na França e já contam com 14 anos de carreira, sendo este o seu 6º álbum de originais. Mathias Malzieu, o líder visionário da banda, é também escritor e se já no álbum anterior figuravam algumas das personagens dos seus livros, aqui foi mais longe sendo o disco a banda sonora do livro com o mesmo título (e que foi lançado umas semanas antes).

Estamos portanto perante um concept album (glup!), esse género tão repudiado após alguns abusos de indulgência efectuados nos anos 80. O disco (e o livro) contam-nos a história de um tal Jack, nascido no final do século 19 em Edimburgo no dia mais frio do mundo, e por esse motivo pocessor de um coração gelado. Uma mecânica que gosta muito de ajudar os outros (a Dr. Madeleine), troca o seu coração defeituoso por um relógio, mas como condicionante, Jack não se pode enervar e ainda menos se apaixonar... Para contar a história o grupo juntou um grupo impressionante de convidados para encarnar algumas das personages: Rossy de Palma, Jean Rochefort, Alain Bashung, Eric Cantona e Olivia Ruiz (a namorada do pequeno Mathias) entre outros.

Musicalmente a coisa raia de tal forma a esquizofrénico que às primeiras audições até é assustador. Sendo essencialmente uma banda de rock, a música que os Dionysos fazem foge cada vez mais para o género "inclassificável". É frequente a mistura de géneros dentro de uma só música que pode começar como Hip-hop, ter uma parte semi-clássica misturada com canção francesa e acabar no punk rock mais despenteado. As influências de dois compositores de cinema únicos - Ennio Morricone e Danny Elfman - fazem com que, mais do que uma banda sonora, algumas das composições pareçam pequenos filmes por si só. E depois a nível ritmico está recheado de pequenos ritmos de relógio e cucos a apitar, o que parece ter sido utilizado como "argamassa" para juntar todos os elementos dispares de que o disco é feito.

Resumindo: um disco extremamente belo que consegue ao mesmo tempo ter uma elevada dose de diversão, e que demonstra de uma vez por todas que os Dionysos ainda são uma banda em evolução, longe de esgotar a sua criatividade, e com probabilidades de continuar a dar-nos excelentes discos no futuro. Infelizmente suspeito que a insularidade a que a música Francesa se sujeita ela própria, fará com que o disco nem sequer passe por estas (e outras) paragens, mesmo apesar de ter trechos cantados em três linguas (Francês, Inglês e Espanhol). Para aguçar a vossa curiosidade, deixo-vos o brilhante clip de Tais-toi mon Coeur. ( 5/5 )





Tais-toi mon coeur - Dionysos
Uploaded by Dionysos

19 novembro, 2007

Disco : Buck 65 - Situation


Buck 65 é um músico bastante atípico. Classificado pelos arquivistas como "Indie Hip-Hop" ou "Alternative Rap", é um MC Canadiano que mistura os beats e o scratching tradicional do género com uma sensibilidade e uma voz bastante mais próximas dos "cantores malditos" (Johnny Cash, Tom Waits, Nick Cave, etc.). De acordo com o meu iPod (que me sussurra ao ouvido), o seu álbum anterior (Secret House Against the Blues) foi um dos discos que mais ouvi nos últimos anos. Não sendo nem uma obra prima, nem sequer um disco próximo de perfeito, apresenta uma variedade e uma imaginação na mistura de tantos estilos musicais, que só poderia mesmo levar a uma escuta muito repetida.

Para este Situation, o autor escolheu uma abordagem mais Old School. Lê / canta os seus textos sobre ritmos inspirados em jazz ou soul clássicos, enquanto descreve o mundo tal como era em 1957, e isto como forma de comprovar como grande parte do que estava errado nessa altura se mantém no presente. A escolha do ano não é uma pura coincidência dado ser o ano de nascimento do movimento Beat, com o qual Buck 65 nitidamente se identifica, e que o leva inclusivamente a parafrasear Allen Ginsberg.

Se o álbum começa muito bem (1957, Dang, Shutter Buggin', Spread 'Em), aí pela sua metade torna-se tão monótono que se torna difícil sequer seguir o que o autor tem para nos dizer, salvando-se apenas uma ou outra faixa (incluindo a melhor do disco: Mr. Nobody) mas chegando a um momento de gosto muito duvidoso ao samplar o concerto de Aranjuez em The Ourskirts. Abandonar a diversidade estilística dos álbuns anteriores e despejar tanta composição sem preocupação de selecção, foram sem dúvida escolhas bastante infelizes, mas mesmo assim o disco tem alguns momentos muito bons que merecem o desvio... ( 3,5 / 5 )

18 novembro, 2007

Bohemian Rhapsody - 25 Most Annoying Voices


Comedian Rick Miller performs Queen's "Bohemian Rhapsody" using the 25 most annoying voices in the music industry.

In order of impersonations:
Bob Dylan
Neil Young
Michael Bolton
Corey Hart
Willie Nelson
Johnny Cash
Jon Bon Jovi
Robbie Robertson
Neil Diamond
Aaron Neville
Dennis DeYoung (Styx)
Barney the Dinosaur
Steven Tyler (Aerosmith)
Any Annoying Lead Guitarist
Meatloaf
Crash Test Dummies
Tom Petty
Beck
The B-52's
Brian Johnson (AC/DC)
James Hetfield (Metallica)
Mick Jagger (Rolling Stones)
Ozzy Osbourne
Julio Iglesiais
Bobby McFerrin
Andrea Bocelli
Axl Rose (Guns N Roses)

We Will Survive


Animem Rapazes! Toca de postarem qualquer coisita! Sobreviveremos a esta crise da gay idade juntinhos! Um em todos e todos em um!

14 novembro, 2007

Separados à Nascença ?


Fabien Barthez, Guarda-Redes da França, Straight


Rob Halford, Vocalista dos Judas Priest, Gay


08 novembro, 2007

07 novembro, 2007

Livro : Spook Country (William Gibson)


Sigo muito afincadamente a produção deste William Gibson. Não li todos os seus livros, mas desde 1988 que não falho um. Não é que isso seja algo de particularmente admirável, dado que desde esse ano só publicou 7 livros. Apesar de ser genericamente considerado um autor de Ficção Cientifica, para mim Gibson é muito mais do que isso. É um excelente observador / critico do mundo em que vive, o que lhe permite imaginar (muitas vezes com tons preditivos) os nossos possíveis futuros. Não é por isso de estranhar que com o passar dos anos se venha a aproximar do presente. Os seus livros vêm normalmente recheados de ideias absolutamente originais, e a sua escrita é também única. Tem a particularidade de escrever de uma forma que, ao início de cada livro, me obriga a fazer um shift ao meu cerebro, como se estivesse a ler uma outra linguagem.

Este Spook Country é uma especie de livro de espionagem, com personagens übercool (como é hábito) e com muita tecnologia de ponta passado nos nossos dias. Gibson aproveita claramente para preencher uma lacuna tecnológica que não tinha anteriormente previsto: o advento da generalização do wireless, e imagina uma nova forma de arte em que a realidade virtual se mistura com a real, através de um visor receptor de sinais GPRS. Também como é habito, Gibson faz-nos seguir várias linhas narrativas paralelas, à procura de pontos comuns, e junta tudo brilhantemente no fim.

Pessoalmente (e em contraponto às criticas que li) achei-o o seu livro mais convencional (no sentido em que se aproxima de um thriller de aeroporto), mas, paradoxalmente é capaz de ser o que tem um final mais satisfatório (normalmente os seus finais tendem a saber a pouco). Para iniciantes recomendo bastante mais o anterior (Pattern Recognition), mas para quem sabe ao que vai, é sem dúvida a não perder...

Reincarnação ?


Thom Yorke, Deprimido

Luís Vaz de Camões, Deprimido

06 novembro, 2007

Algo Se Passa No Reino Da Dinamarca

Aqui há gato. Não é normal este pasquim ter atingido as 30.000 afinfadelas num abrir e fechar de olhos. Pelo menos um de vocês anda metido na coisa (salve seja, se alguma das cônjuges estiver a ler isto asseguro que não é uma coisa dessas). Marosca, de certeza. Não é possível! Isto é pior que um tablóide e mamas volumosas, ao bom estilo da página 3, ainda estou à espera de ver, pois a esperança é a última a morrer. É que tirando as receitas de culinária e uma foto minha, isto não tem nada de interesse. Vão embora, vá. Não sejam mirones. Ala que se faz tarde.

05 novembro, 2007

Disco : The Cult – Born Into This

Para que não haja confusões, aviso já os meus leitores que visto a camisola dos The Cult. E já há tanto tempo que nem vou dizer quanto. O Ian Astbury e o Billy Duffy podiam ir à casa de banho juntos, gravar os sons que por lá faziam, editar um disco, que eu comprava.

Até adoro os álbuns malditos: “The Cult (Black Sheep)” (1994) ou os The Cult em versão grunge e “Beyond Good and Evil” (2001) quando o grupo experimentou o Heavy Metal. É de tal maneira, que poderia fazer uma crítica à LR, isto é, sem ouvir o disco. Não é o caso.

Para os menos atentos, este “Born Into This” poderia ser a sequência lógica do exuberante “Sonic Temple” de 89. Poderia mas não é. O tempo passa, as pessoas amadurecem e, embora as imagens de marca dos Cult estejam todas cá, este é um disco do presente.

E que falta que ele me fazia. Rock puro, rock clássico, rock de qualidade. Sem paneleirices, depressões, electrónica, coreografias ou preocupações com modas passageiras. É música para abanar a pélvis, para carregar no acelerador, para solar na guitarra imaginária, para libertar o stress e para dar prazer. É colírio para os meus ouvidos, do princípio ao fim, dez faixas de regalo roqueiro, sem palha, nem pausas para respirar (6/5)

03 novembro, 2007

Livro : O Vírus da Vida (JP Simões e André Carrilho)


JP Simões é o cantor / compositor responsável por alguns dos projectos mais originais da história recente da música Portuguesa: Belle Chase Hotel, Quinteto Tati, etc. Quanto a André Carrilho é um dos nossos mais conceituados ilustradores, com trabalho publicado internacionalmente (New York Times, Vanity Fair, etc.) e um rol de prémios arrecadados ao longo do tempo. Este pequeno livro reune 10 contos escritos pelo primeiro em 1996, "nas horas de expediente de um emprego idiota" e acompanhados de uma ilustração da autoria do segundo.

Tematicamente próximo da Ficção Cientifica, todos os contos interrogam a importância da tecnologia face à sociedade e ao individuo. A escrita de Simões é fabulosa, poética e bem pensada (como já eram as suas letras), mesmo se por vezes os finais dos contos parecem um pouco apressados. Dá sem dúvida vontade de o ler em projectos de maior fôlego, apesar de aparentemente não estarem nos seus planos. Resumindo: apesar de curto (lê-se em 1/2 hora) é um livro muito simpático e belo.

trust me, I'm a doctor (parte 2)


Acontecimentos recentes, que dispensaria de bom grado, levaram-me a descobrir - ou redescobrir - alguns conceitos: bebedeira, traumatismo, ressaca, enxaqueca, urgências da CUF, tomografia axial computorizada, etc.

Perdido algures nesse fascinante mundo, consegui ainda assim uma extraordinária descoberta, quiçá revolucionária nos anais da Medicina. A enxaqueca é basicamente causada por uma vasodilatação - logo, inventei um método vasoconstritor para aliviar, senão curar, a mesma.
Rapidamente concluí que o método tem outras aplicações. Todos sabemos que o Viagra é um vasodilatador, com o objectivo de resolver a falta daquilo. Mas como resolver o excesso daquilo?
Os meus queridos amigos sabem que, por vezes, a ocasião é pouco propicia para demonstrações de entusiasmo. Na praia, por exemplo - quem aguenta estar horas de barriga para baixo (com risco de apanhar um escaldão nas costas), ou dentro de água? Já para não falar de velórios, funerais, julgamentos, e outras ocasiões funestas, ou de grupos de risco (membros de algumas confissões religiosas ou partidos políticos) aos quais a abstinência devia ser imposta.

Vou pois patentear o meu revolucionário método, a que chamei Pilamine (do grego pila, que significa alegria, e do latim mine, que significa cerveja pequena). Num acesso de generosidade, decidi que os royalties serão divididos pelo Sport Lisboa e Benfica e pela Scuderia Ferrari. Há que zelar pela Humanidade...

02 novembro, 2007

E Tudo o Vinho Levou

Nunca mais bebo álcool, Nunca mais bebo shots, Nunca mais bebo penalties, Nunca mais bebo girafas, Nunca mais bebo absinto, Nunca mais bebo Licor Beirão da garrafa, Nunca mais chupo cocktails em chamas por uma palhinha, Nunca mais bebo álcool, Nunca mais bebo shots, Nunca mais bebo penalties, Nunca mais bebo girafas, Nunca mais bebo absinto, Nunca mais bebo Licor Beirão da garrafa, Nunca mais chupo cocktails em chamas por uma palhinha.

Confissão encomendada pelo LR, que continua de cama a recuperar das maleitas que lhe foram inflingidas, pelas costas, durante uma despedida de solteiro, no fim-de-semana transacto.

01 novembro, 2007

gone with the wine

Nunca mais bebo álcool. Nunca mais bebo álcool. Nunca mais bebo álcool. Nunca mais bebo álcool. Nunca mais bebo álcool. Nunca mais bebo álcool. Nunca mais bebo álcool. Nunca mais bebo álcool. Nunca mais bebo álcool. Nunca mais bebo álcool. Nunca mais...

Concerto : David Fonseca no Convento do Beato


Eu estive lá! E vocês (ditam as probabilidades) não! Este foi o concerto de lançamento do novo álbum (e da nova tournée) e foi um exclusivo Optimus limitado a 500 pessoas. Enfim, é em momentos como este que eu não me arrependo de estar a ser roubado por estes, em vez de ser roubado pelos outros. Devo a minha presença à minha mui querida S. que teve a sorte de acertar na chamada correcta e sacar um convite duplo (não te esqueças de jogar no Euromilhões, Ok?).

Foi um concerto bastante intimista portanto. Não houve grandes surpresas, o rapaz cantou bem e foi bem acompanhado. Nas versões tivemos direito ao já tradicional Song to the Siren do Tim Buckley e pouco mais (uns acordes de Elvis e do Da Da Da dos Trio bastante dispensável a preceder a The 80's). Tal como nos discos, achei os momentos mais baladeiros um pouco secantes, mas a trilogia que iniciou a segunda metade do espectáculo, composta por Our Hearts Will Beat As One (a minha música favorita do álbum anterior), This Raging Light e This Wind, Temptation (as minhas duas favoritas do novo), demonstram bem o melhor do que o moço tem para nos oferecer ao vivo. Em termos de presença, disfarça cada vez melhor a sua timidez (fez-me por vezes lembrar um David Byrne - em menos freak - pela forma como olha para o tecto para evitar a audiência), mandando umas bocas em resposta ao que vai ouvindo do publico.

Imperdoável foi mesmo a repetição de Superstars II a terminar o concerto, suspeito que a pedido da Optimus que já lhe deve estar a piscar o olho para a próxima campanha publicitária. Mas não foi suficiente para estragar um par de horas bem passadas...