Muito bem adaptado ao cinema a partir do livro de Kazuo Ishiguro (The Remains of the Day) pelo saudoso Alex Garland e com realização de Mark Romanek (mais famoso pelos seus video clips que pelos filmes), conta-nos a história de 3 amigos que se conhecem num colégio interno de uma Inglaterra de realidade alternativa, no momento em que descobrem o que a vida espera deles. E mais não conto, porque este é um daqueles filmes em que convém saber o menos possível no início da sessão para não estragar as surpresas que seguem.
Com uma realização belíssima e discreta, o ênfase recai certeiramente sobre as emoções dos personagens, muito bem interpretados pelos protagonistas. Uma excelente surpresa que recomendo vivamente a todos os que não se importam de sentir o coração mais um bocadinho partido...
O Iñárritu continua felizmente a fazer filmes com consciência social e uma enormíssima humanidade. E cada vez parece mais longe daquilo a que hoje se tende a chamar cinema. Mesmo quando o brilhante Bardem é candidato a óscar. Não é um filme feliz. Não tem nem uma pequena gota de cor-de-rosa. Mas é muito real. E é preciso pessoas com coragem para continuar a fazer filmes assim.
WOW! Acabei agora de ver isto e parece-me difícil conseguir adormecer tão cedo. Pode ser só uma comédia romântica para geeks adolescentes viciados em jogos de computador e musica independente, mas foi o maior divertimento que consegui tirar da minha televisão e do meu leitor de DVD's em muito muito tempo. A realização, banda sonora e diálogos hiperquinéticos e mordentemente irónicos deixaram o meu cérebro a latejar e os meus dedos em brasa para vir para aqui recomendar (e inventar umas palavras pelo caminho). Acho que vou ter de ir ver isto outra vez ao cinema quando estrear por cá a 8 de Dezembro...
O novo filme de Alejandro Amenábar (um dos 3 realizadores espanhóis de quem não perco um filme - em conjunto com o inevitável Almodóvar e o praticamente ignorado Júlio Medem) volta a mudar de género com que a provar que, sim, ele é mesmo seguidor do Kubrick. Depois do thriller, da ficção cientifica, do terror e do drama, temos agora direito a um fresco histórico, passado em Alexandria por volta do ano 400. Mas estamos felizmente muito longe de estar perante mais um peplum ou de um filme bíblico, porque Àgora troca as emoções fáceis pela vontade de pensar e ver o mundo com olhos frescos.
O filme conta-nos a história de Hypatia de Alexandria, primeira mulher filósofa e matemática, educada pelo seu pai Theon, e um claro símbolo da mulher moderna que olha o homem nos olhos como seu igual. E passa-se num momento único no tempo, em que se iniciaram as querelas religiosas que subsistem nos dias de hoje, e que levaram ao fim do paganismo e do classicismo enquanto corrente filosófica.
Amenábar faz escolhas muito inteligentes, começando pela escolha de Rachel Weisz, perfeita para o papel principal, e fazendo a cidade de Alexandria (e a sua lendária biblioteca) parecer pequena, face à noção de urbanismo dos nossos dias (e teria mesmo de ser assim). Com esta opção, consegue tornar o filme mais próximo de uma peça de teatro (em vez de nos afogar o cérebro em CGI), e faz-nos prestar realmente atenção e sentir o que se diz. O resultado é um dos melhores filmes que vi nos últimos anos, e que me deixou colado à cadeira após ter terminado. Definitivamente a não perder...
Na minha pesquisa constante por coisas novas com que ocupar o tempo que não tenho, deparei-me com este site com um conceito muito simples, muito Americano, e totalmente viciante. É mesmo simples: são apresentados dois cartazes de cinema (podemos ver detalhes para o caso de querermos tirar dúvidas) e temos apenas de clicar naquele de que gostámos mais. Para o caso de não termos visto algum ou ambos, existem botões específicos para o dizer...
A pouco e pouco vamos construindo a lista dos filmes de que gostamos mais e, 1.710 filmes e 4.487 comparações depois o meu top 20 está com este aspecto:
Wild at Heart
Short Cuts
The Big Lebowski
Moulin Rouge
Requiem for a Dream
Inland Empire
A Clockwork Orange
Magnolia
Memento
Blue Velvet
Finding Neverland
All About My Mother
Lost Highway
Amores Perros
2001: A Space Odissey
Sweeney Todd
Once Upon a Time in America
21 Grams
Trainspotting
The Usual Suspects
Ainda não está perfeito: provavelmente há uns quantos filmes que vão sair (o Sweeney Todd por exemplo); falta pelo menos um do Almodóvar (Habla con Ella); um do Lynch deverá ser trocado por outro (o Lost Highway pelo Mulholland Dr.); a ordem final provavelmente não seria esta, mas acho que já está bastante representativo. Mas se calhar ainda mais divertido, é lembrarmos os filmes completamente mérdicos com que perdemos tempo na nossa vida...
Penso que o site (www.flickchart.com) ainda está em beta, mas se se inscreverem deverão receber um convite para se juntarem no espaço de uma semana (pelo menos foi o que aconteceu comigo). E se quiserem podem sempre ver como estou a progredir por aqui.
Este novo filme de Park Chan-Wook, realizador coreano que nos trouxe JSA e a trilogia da Vingança (Sympathy for Mr. Vengeance / Old Boy / Sympathy for Lady Vengeance), ganhou o prémio do júri no último festival de Cannes, ex-equo com Fish Tank. Este trailer parece-me muito promissor, tendo ficado em pulgas para pôr os olhos e os ouvidos nele...
O cinema de terror é um daqueles géneros em que cada vez mais parece ser preciso ver uma centena de filmes para encontrar um pérola no meio. Eu vejo bastantes pelos cheap thrills e porque me deixam desligar o cérebro, mas raramente escrevo sobre eles, porque é muito raro excederem as expectativas de entretenimento puro e duro. O último que me tinha verdadeiramente maravilhado tinha sido o Descent do britânico Neil Marshall há uns 4 anos atrás. Vi este ontem à noite e fiquei com a sensação de ter encontrado um dos tais filmes de terror com cérebro por trás...
Realizado pelo francês Pascal Logier (definitivamente o melhor do género deixou de vir dos EUA), começa por ser uma história de vingança, com uma rapariga e a sua melhor amiga a quererem-se vingar de um casal que a raptou e torturou quando era criança. Mas é daqueles filmes sobre os quais quanto menos se souber, mais efeito produzem. Digamos apenas que por volta dos 40 minutos o filme (na estrutura clássica a que estamos habituados) parece estar a acabar, não deixando de forma alguma antever o que se segue. É extremamente violento (batido como estou nestas coisas senti bastante desconforto com algumas cenas), ao ponto de haver quem o inclua na corrente torture-porn (das séries Hostel e Saw). Mas o coração do filme está noutro sítio: é dedicado a Dario Argento, tem influências nítidas de terror japonês e um final doentiamente calmo e transcendente, que o eleva significativamente acima da fasquia. Completamente obrigatório para aficionados, quem não o seja é melhor fugir a sete pés...
Scorcese e DiCaprio voltam-se a juntar, desta feita para um thriller psicológico baseado no livro homónimo de Dennis Lehane. Dois US Marshals vão a um hospital psiquiatrico de alta segurança investigar o desaparecimento de uma das pacientes e, como podem ver pelo trailer abaixo, as coisas complicam-se. Para além de DiCaprio temos montes de outros bons actores: Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Emily Mortimer, Max Von Sydow, Patricia Clarkson e até Elias Koteas (aposto que faz de maluco). Não tenho gostado muito dos últimos filmes do realizador, mas este parece-me estar com muito bom aspecto...
Este novo filme de Sam Mendes, que a meu ver ainda não conseguiu confirmar a promessa que mostrava em American Beauty há 10 anos atrás, mostra-nos o périplo de um casal à espera de filho que, após descobrirem que os pais (dele), perto de quem tinham decidido instalar-se, decidiram ir viver para a Europa, embarcam numa viagem pelos EUA a visitar amigos e familiares. O trailer abaixo deixou-me com muita vontade de ver o filme e simpatizei de imediato com as personagens. O argumento é de Dave Eggers e da sua mulher Vendela Vida, e apesar dos actores principais não serem muito conhecidos, está cheio de cameos com bom aspecto (Jeff Daniels e Maggie Gyllenhaal principalmente). Vamos a ver se é desta...
O novo Almodóvar é um melodrama com tendências noir que passou por Cannes a semana passada, com acolhimento misto. Desde Hable con Ella que os filmes do realizador não mexem verdadeiramente comigo, mas valem sempre a pena ver pela classe da realização e da direcção de actores a que nos acostumou. Parece-me que este não vai mudar muito este status quo, mas cá estarei para o ver.
João Bénard da Costa - o homem para quem 80% dos filmes tinham sempre uma ou duas cenas que eram "a mais bela da história do cinema" - nunca mais virá lanchar na minha rua. E nem é que eu me importasse.
Whatever Works é o novo Woody Allen, em que o papel principal foi entregue a Larry David, um dos criadores de Seinfeld e ele também um judeu Nova Iorquino neurótico e mal humorado, ou seja, um alter ego perfeito para o próprio Allen. Juntam-se a ele (entre outros) as adoráveis Patricia Clarkson e Evan Rachel Wood (fazem mãe e filha), e pelo trailer parece que temos retorno ao estilo mais próprio do realizador, depois das suas recentes aventuras Europeias. As primeiras reacções criticas também parecem positivas.
Tetro é o segundo filme de Francis Ford Coppola em 12 anos. Foi buscar Vincent Gallo e a brilhante Maribel Verdu para nos contar a história do reencontro de dois irmãos em Buenos Aires. Como podem ver pelo trailer abaixo, é notório o regresso à fotografia a preto-e-branco (com pormenores a cores prometidos) de Rumble Fish (um dos meus filmes favoritos do realizador). Será que é desta que temos um verdadeiro retorno à forma de outros tempos? Youth Without Youth, apesar dos inúmeros méritos, não me satisfez totalmente... Vamos a ver o que este dá.
O novo filme de Lars Von Trier, com grande hipótese de estreia no Festival de Cannes, conta a história de um casal que se refugia numa cabana nos bosques para tentar recuperar da morte de um filho. A coisa não corre como esperado, e transforma-se nitidamente num filme de terror (porventura esteticamente mais bonito que a média), em que o casal descobre que o mundo foi criado e é mantido pelo diabo em pessoa...
Antes que algum dos meus cotralalas se lembre de utilizar isto para me chantagear (nem imaginam do que eles são capazes), aproveito desde já para postar o trailer... Quanto à questão levantada no final do mesmo, a resposta fica para outro dia...
Segundo me diz o Anobii (aquela coisa na barra lateral que vos diz que livros eu tenho lido), o autor de que tenho mais livros é o Neil Gaiman. Isto justifica-se não pelo facto de ser o meu autor favorito, mas sim pelo facto de ser dos poucos autores que começou na BD (onde o descobri graças ao fabuloso Sandman) e que conseguiu fazer a passagem para a literatura com sucesso. Também não o considero um grande autor, apesar de um principio de carreira na literatura com dois excelentes livros (Neverwhere e American Gods), a produção posterior apresenta-o um pouco preso no género da fantasia e sem grande vontade de avançar para outras paragens. Independentemente disso, o facto de ter uma imaginação inigualável, tem-me feito voltar a cada novo livro. A notícia que o seu Coraline ia ser adaptado ao cinema por Henry Selick, realizador do meu filme de animação favorito (The Nightmare Before Christmas), deixou-me imediatamente a salivar.
Mas confesso que me senti um pouco desiludido com o resultado final. Mesmo se o design de personagens e cenários é brilhante, e a realização está à altura do trabalho anterior de Selick, parece-me faltar algum ritmo ao filme. O facto de já conhecer a história pode ter roubado um pouco do efeito surpresa, e também pode ter sido graças à "maravilhosa" moda do 3D, em que me estreie, e que me parece distrair mais do que ajudar a embrenhar. No entanto tem pelo menos duas sequências que me deixaram completamente maravilhado (a descoberta do jardim e a final) e que me parecem suficientes para justificar o visionamento do filme. ( 4 / 5 )
Sei que isto já estreou por cá há uns quantos meses, mas só ontem tive oportunidade de o ver. Dois assassinos profissionais Irlandeses são exilados em Bruges (uma cidadezinha medieval muito bonita na Bélgica) depois de um golpe com danos colaterais. Enquanto um deles (Brendan Gleeson) aproveita para ver as vistas, o outro (Colin Farrell) fica cada vez mais impaciente.
A primeira hora do filme trata de ganhar ambiente e definir as personagens, mas é o terço final imprevisível que o torna mesmo inesquecível. As interpretações são todas deliciosas (mesmo o Farrell com as suas sobrancelhas de cãozinho triste), os diálogos brilhantes, e a realização tira excelente partido desta pequena cidade. Eu que já por lá andei, fiquei cheio de vontade de lá voltar para beber uma bela trapiste numa esplanada.
Quem faz um filme destes com um centésimo do orçamento de um blockbuster médio de Hollywood, e com resultados muito mais agradáveis, só pode mesmo ser um excelente realizador. Martin McDonagh é portanto um jovem a acompanhar...
Esta história de um wrestler em final de carreira, 20 anos após o seu zénite, e a sofrer do coração, parece mesmo feita de propósito para a noite dos Óscares. Tem uma musiquinha nova do Bruce Springsteen no final e tudo, que normalmente resulta bem. O Rourke (que ganhou o Globo de Ouro da melhor interpretação dramática) vai de facto bem, mas parece-me mais um "boneco" do que uma pessoa a sério. Quem gostei mesmo de ver foi a Marisa Tomei a fazer de puta com coração de ouro (o Ervi vai gostar!), e a Evan Rachel Wood a fazer de filha abandonada.
Se viesse de outro realizador, seria apenas mais um filme bem feito de forma clássica e a puxar ao melodrama (mas sem exagero), mas vindo do Darren Aronofsky, responsável pelos fabulosos Pi e Requiem for a Dream, representa uma tremenda desilusão, pelo convencional da realização, e pelo calculismo. Será um sell-out definitivo, ou foi só para angariar fundos para novo projecto megalómano?
Grande filme! Boyle pega numa história mais ou menos clássica - o rapaz pobre que depois de muito sofrimento consegue vingar na vida e encontrar o amor verdadeiro - e baralha completamente os elementos tradicionais até chegar ao seu final feliz. Não é que eu goste muito de finais felizes, mas este parece ser o primeiro filme em que o realizador consegue balancear na perfeição o seu lado negro (Trainspotting) com o lado mais fluffy (Millions). Depois há o efeito globalização: ao apostar em fazer este filme na Índia, e dar-nos a ver o que a vida é para a maioria das pessoas no mundo, Boyle correu muitos riscos (calculados sem dúvida, mas riscos na mesma), e apesar de criticas a apontarem para a "vista externa simplista" do realizador, a cerimónia dos Globos de Ouro provou que a aposta foi ganha.
Boyle continua assim a ser um dos meus realizadores preferidos que alia a dinâmica e o virtuosismo da sua realização, a projectos fora de comum, não tendo até à data caído no facilitismo Hollywoodesco. Venha de lá esse Oscar...