20 julho, 2008

Concerto : Lou Reed - Campo Pequeno - 19/07/2008


Pareço ter sido das poucas pessoas que não teve qualquer dificuldade de escolha entre ir a este concerto ou ao que Leonard Cohen deu ao mesmo tempo no Passeio Marítimo de Algés. Descobri o Reed com o New Sensations em 1984 e desde então tenho-me mantido perfeitamente fiel (incluindo as obrigatórias e óbvias incursões sobre o seu passado). Já o tinha visto uma vez ao vivo no Pavilhão Atlântico em 2000, e não podia deixar de repetir, ainda mais quando o concerto se centrava sobre um dos seus melhores discos (o Berlin de 1973), acrescentando extras como uma orquestra e um coro infantil.

Precedi o concerto com uma óptima refeição na esplanada do Japa, que me deixou muito bem disposto para o prato principal da noite. Com meia hora de atraso (mas com pré-aviso), e após uma pequena introdução de Hal Willner (um dos produtores musicais do espectáculo), os cerca de 30 elementos da banda entraram em palco e deram inicio à interpretação de Berlin. O alinhamento seguiu fielmente o do disco, tendo como único desvio uma (aparentemente despropositada) homenagem a James Brown (mas que funcionou) e manteve-se a trilogia emocionalmente demolidora de The Kids, The Bed e Sad Song a fechar a primeira parte. Em encore tivemos Satellite of Love (com Fernando Saunders a brilhar nos vocais), Rock & Roll dos Velvet Underground e um belissimo novo tema intitulado Power Of The Heart que Reed compôs para a campanha Love da Cartier e cuja versão de estúdio (algo inferior) podem ouvir aqui.

O corpo de Reed pode começar a acusar os excessos do seu passado (já vai nos 66), mas a sua voz (que nunca se quis bonita) continua extrememente eficaz a transmitir as suas emoções. Toda a banda que o acompanhava foi excepcional em cumplicidade e prazer a tocar, com particular destaque para Steve Hunter, guitarrista original do album, com um sorriso permanentemente estampado na cara sempre que punha o seu instrumento a falar. A cenografia de Julian Schnabel era um pouco escusada, mas as imagens projectadas, realizadas pela sua filha Lola e com a presença hipnótica de Emmanuelle Seigner cairam bem a acompanhar a música.

Uma excelente e emocional noite que me deixou a alma mais cheia. Como ele próprio diria: It was very nice, hey honey, it was paradise...

3 comentários:

Zé Miguel Mendes disse...

Olá!
Só queria deixar o meu comentário acerca do concerto: fabuloso! Foi a primeira vez que vi Lou Reed ao vivo e apesar de conhecer - e gostar - do album Berlin, o novo arranjo com o coro e a filarmónica tornou-o ainda mais actual sem perder a sua lendária autenticidade.
O público ajudou a que se instalasse um ambiente de grande intimidade: nos momentos mais melancólicos em que a voz de Lou timbrava toda sala, a audiência mantinha-se silenciosamente deliciada para depois aplaudir efusivamente o culmino das interpretações.
Resumindo, um concerto que irá perdurar nas minhas memórias!
Obrigado.

Anónimo disse...

Como apareceu em primeiro lugar..merece o meu comentário !
Fantástico concerto de Rock na Praça de Toiros mitica da capital. Um hino ao espectáculo musical de quem fazia musica e arte antes de muitos que agora o viram tocar e cantar nasceram.
Merece o 2º lugar nas minhas memórias após os Smashing, curiosamente num anfiteatro identico mas em Cascais

Anónimo disse...

Não se pode deixar de realçar o profissionalismo dos musicos, qualidade de som e enquadramento artistico de todos os que contribuiram para uma pessoa se sentir bem ! Os (bi) elogios do Lou são modestos para todos os que contribuiram para aquele show de instrumentos musicais. Ah, e cerveja sem filas, cadeiras, ar livre, uauuuu

Poucas vezes estive tentado a voltar ao Algarve para rever aquele espectaculo. Pelo puro prazer da musica.