01 janeiro, 2006

Livro : Haunted


Para a maioria das pessoas, Palahniuk é apenas o escritor de Fight Club, dado a conhecer ao grande público pela mão de David Fincher na sua adaptação a celuloide... No entanto tem publicado praticamente um livro por ano desde esse primeiro: Invisible Monsters, Survivor, Choke, Lullaby e Diary são todos sátiras à vida moderna, com humor muito negro frequentemente a raiar o limite do mau gosto, e que se tornaram sucessos de culto quase instantâneos. Pessoalmente tenho acompanhado as obras do autor com algum interesse, apesar de nos dois últimos já se notar alguma repetição temática. Nitidamente o autor interessa-se mais pelo estilo e pela estrutura do que com a história que tem a contar, nunca deixando de ser pontualmente brilhante em cada obra.

Com este Haunted, Palahniuk vem alterar um pouco o seu status quo, lançando uma colecção de histórias curtas com um fio condutor a uni-las. Um conjunto de 16 pessoas é levada para uma "localização misteriosa" durante 3 meses para escrever a sua obra-prima (uma sátira clara aos reality shows cada vez mais absurdos). Cada história curta é assim escrita pelas personagens que residem na casa, focando normalmente o seu passado e a motivação para o afastamento durante 3 meses. Entre cada história são feitos pequenos interlúdios sobre o que se passa na casa e como seria de esperar as coisas não correm bem como previsto.

É precisa uma dose decente de masoquismo para ler Haunted. Não só pela total ausência de esperança (todas as personagens são notórias pela sua falta de humanidade), como pelo carácter visual de algumas descrições (é preciso bastante estômago para as descrições de auto-mutilação, canibalismo, degradação e decomposição que vão aparecendo em crescendo ao longo do livro). Sem dúvida o livro mais doentio do autor e definitivamente apenas a experimentar pelas pessoas que gostem de obras deprimentes... e isto apesar de no final tudo fazer sentido.

3 comentários:

xá-das-5 disse...

Estes fulanos que escrevem coisas sobre auto-mutilações e quejandos são, na verdade, os tipos que andam mesmo a matar por aí.
Depois exorcisam os seus crimes pela arte da escrita (ou fílmica ou musical) e ficam todos saisfeitos porque, mesmo confessando-os, não são apanhados.

xá-das-5 disse...

não tens resposta para esta verdade?
lol

Bruno Taborda disse...

Ó pá... Uma resposta arranja-se sempre... A dificuldade é arranjar uma resposta à altura de tamanha verdade ;-) (Nota para quem não conhece o Xá: ele caiu num caldeirão de X-Files quando era pequenino)