22 novembro, 2007

Disco : Dionysos - La Mécanique du Coeur


Já por aqui tinha falado destes senhores em referência ao seu disco anterior (Monsters in Love). E se esse foi um dos meus discos preferidos de 2005, este também já o é para 2007. Os Dionysos são originários de Valence na França e já contam com 14 anos de carreira, sendo este o seu 6º álbum de originais. Mathias Malzieu, o líder visionário da banda, é também escritor e se já no álbum anterior figuravam algumas das personagens dos seus livros, aqui foi mais longe sendo o disco a banda sonora do livro com o mesmo título (e que foi lançado umas semanas antes).

Estamos portanto perante um concept album (glup!), esse género tão repudiado após alguns abusos de indulgência efectuados nos anos 80. O disco (e o livro) contam-nos a história de um tal Jack, nascido no final do século 19 em Edimburgo no dia mais frio do mundo, e por esse motivo pocessor de um coração gelado. Uma mecânica que gosta muito de ajudar os outros (a Dr. Madeleine), troca o seu coração defeituoso por um relógio, mas como condicionante, Jack não se pode enervar e ainda menos se apaixonar... Para contar a história o grupo juntou um grupo impressionante de convidados para encarnar algumas das personages: Rossy de Palma, Jean Rochefort, Alain Bashung, Eric Cantona e Olivia Ruiz (a namorada do pequeno Mathias) entre outros.

Musicalmente a coisa raia de tal forma a esquizofrénico que às primeiras audições até é assustador. Sendo essencialmente uma banda de rock, a música que os Dionysos fazem foge cada vez mais para o género "inclassificável". É frequente a mistura de géneros dentro de uma só música que pode começar como Hip-hop, ter uma parte semi-clássica misturada com canção francesa e acabar no punk rock mais despenteado. As influências de dois compositores de cinema únicos - Ennio Morricone e Danny Elfman - fazem com que, mais do que uma banda sonora, algumas das composições pareçam pequenos filmes por si só. E depois a nível ritmico está recheado de pequenos ritmos de relógio e cucos a apitar, o que parece ter sido utilizado como "argamassa" para juntar todos os elementos dispares de que o disco é feito.

Resumindo: um disco extremamente belo que consegue ao mesmo tempo ter uma elevada dose de diversão, e que demonstra de uma vez por todas que os Dionysos ainda são uma banda em evolução, longe de esgotar a sua criatividade, e com probabilidades de continuar a dar-nos excelentes discos no futuro. Infelizmente suspeito que a insularidade a que a música Francesa se sujeita ela própria, fará com que o disco nem sequer passe por estas (e outras) paragens, mesmo apesar de ter trechos cantados em três linguas (Francês, Inglês e Espanhol). Para aguçar a vossa curiosidade, deixo-vos o brilhante clip de Tais-toi mon Coeur. ( 5/5 )





Tais-toi mon coeur - Dionysos
Uploaded by Dionysos

19 novembro, 2007

Disco : Buck 65 - Situation


Buck 65 é um músico bastante atípico. Classificado pelos arquivistas como "Indie Hip-Hop" ou "Alternative Rap", é um MC Canadiano que mistura os beats e o scratching tradicional do género com uma sensibilidade e uma voz bastante mais próximas dos "cantores malditos" (Johnny Cash, Tom Waits, Nick Cave, etc.). De acordo com o meu iPod (que me sussurra ao ouvido), o seu álbum anterior (Secret House Against the Blues) foi um dos discos que mais ouvi nos últimos anos. Não sendo nem uma obra prima, nem sequer um disco próximo de perfeito, apresenta uma variedade e uma imaginação na mistura de tantos estilos musicais, que só poderia mesmo levar a uma escuta muito repetida.

Para este Situation, o autor escolheu uma abordagem mais Old School. Lê / canta os seus textos sobre ritmos inspirados em jazz ou soul clássicos, enquanto descreve o mundo tal como era em 1957, e isto como forma de comprovar como grande parte do que estava errado nessa altura se mantém no presente. A escolha do ano não é uma pura coincidência dado ser o ano de nascimento do movimento Beat, com o qual Buck 65 nitidamente se identifica, e que o leva inclusivamente a parafrasear Allen Ginsberg.

Se o álbum começa muito bem (1957, Dang, Shutter Buggin', Spread 'Em), aí pela sua metade torna-se tão monótono que se torna difícil sequer seguir o que o autor tem para nos dizer, salvando-se apenas uma ou outra faixa (incluindo a melhor do disco: Mr. Nobody) mas chegando a um momento de gosto muito duvidoso ao samplar o concerto de Aranjuez em The Ourskirts. Abandonar a diversidade estilística dos álbuns anteriores e despejar tanta composição sem preocupação de selecção, foram sem dúvida escolhas bastante infelizes, mas mesmo assim o disco tem alguns momentos muito bons que merecem o desvio... ( 3,5 / 5 )

18 novembro, 2007

Bohemian Rhapsody - 25 Most Annoying Voices


Comedian Rick Miller performs Queen's "Bohemian Rhapsody" using the 25 most annoying voices in the music industry.

In order of impersonations:
Bob Dylan
Neil Young
Michael Bolton
Corey Hart
Willie Nelson
Johnny Cash
Jon Bon Jovi
Robbie Robertson
Neil Diamond
Aaron Neville
Dennis DeYoung (Styx)
Barney the Dinosaur
Steven Tyler (Aerosmith)
Any Annoying Lead Guitarist
Meatloaf
Crash Test Dummies
Tom Petty
Beck
The B-52's
Brian Johnson (AC/DC)
James Hetfield (Metallica)
Mick Jagger (Rolling Stones)
Ozzy Osbourne
Julio Iglesiais
Bobby McFerrin
Andrea Bocelli
Axl Rose (Guns N Roses)

We Will Survive


Animem Rapazes! Toca de postarem qualquer coisita! Sobreviveremos a esta crise da gay idade juntinhos! Um em todos e todos em um!

14 novembro, 2007

Separados à Nascença ?


Fabien Barthez, Guarda-Redes da França, Straight


Rob Halford, Vocalista dos Judas Priest, Gay


08 novembro, 2007

Willemina Gibson

My kind of Gibson

07 novembro, 2007

Livro : Spook Country (William Gibson)


Sigo muito afincadamente a produção deste William Gibson. Não li todos os seus livros, mas desde 1988 que não falho um. Não é que isso seja algo de particularmente admirável, dado que desde esse ano só publicou 7 livros. Apesar de ser genericamente considerado um autor de Ficção Cientifica, para mim Gibson é muito mais do que isso. É um excelente observador / critico do mundo em que vive, o que lhe permite imaginar (muitas vezes com tons preditivos) os nossos possíveis futuros. Não é por isso de estranhar que com o passar dos anos se venha a aproximar do presente. Os seus livros vêm normalmente recheados de ideias absolutamente originais, e a sua escrita é também única. Tem a particularidade de escrever de uma forma que, ao início de cada livro, me obriga a fazer um shift ao meu cerebro, como se estivesse a ler uma outra linguagem.

Este Spook Country é uma especie de livro de espionagem, com personagens übercool (como é hábito) e com muita tecnologia de ponta passado nos nossos dias. Gibson aproveita claramente para preencher uma lacuna tecnológica que não tinha anteriormente previsto: o advento da generalização do wireless, e imagina uma nova forma de arte em que a realidade virtual se mistura com a real, através de um visor receptor de sinais GPRS. Também como é habito, Gibson faz-nos seguir várias linhas narrativas paralelas, à procura de pontos comuns, e junta tudo brilhantemente no fim.

Pessoalmente (e em contraponto às criticas que li) achei-o o seu livro mais convencional (no sentido em que se aproxima de um thriller de aeroporto), mas, paradoxalmente é capaz de ser o que tem um final mais satisfatório (normalmente os seus finais tendem a saber a pouco). Para iniciantes recomendo bastante mais o anterior (Pattern Recognition), mas para quem sabe ao que vai, é sem dúvida a não perder...

Reincarnação ?


Thom Yorke, Deprimido

Luís Vaz de Camões, Deprimido

06 novembro, 2007

Algo Se Passa No Reino Da Dinamarca

Aqui há gato. Não é normal este pasquim ter atingido as 30.000 afinfadelas num abrir e fechar de olhos. Pelo menos um de vocês anda metido na coisa (salve seja, se alguma das cônjuges estiver a ler isto asseguro que não é uma coisa dessas). Marosca, de certeza. Não é possível! Isto é pior que um tablóide e mamas volumosas, ao bom estilo da página 3, ainda estou à espera de ver, pois a esperança é a última a morrer. É que tirando as receitas de culinária e uma foto minha, isto não tem nada de interesse. Vão embora, vá. Não sejam mirones. Ala que se faz tarde.