10 setembro, 2007

Chanfana Com Chouriço

Museu Arqueológico Nacional (Nápoles, Itália)

Para os muitos que perderam a receita e me contactaram desesperados por e-mail aqui está ela!

09 setembro, 2007

Disco : Beirut - The Flying Club Cup

Dizia eu em Junho de 2006 sobre o álbum anterior dos Beirut (Gulag Orkestar): "...é sobretudo um excelente início de uma carreira de alguém estupidamente talentoso e que espero que venha a dar muito que falar...". Este segundo álbum da banda dirigida por Zach Condon parece vir confirmar as minhas palavras da forma mais absoluta, de tal forma que me interrogo se não perceberei mesmo qualquer coisa disto...

Se no disco anterior o ênfase musical recaía sobre os Balcãs, neste a banda vira-se para a França. É por lá que Condon vive actualmente, e confessa ter sido bastante influenciado por Jacques Brel (que por acaso era Belga, mas não vamos por aí). Mas esta influência não é registável por decalque, mas sim por absorção. A sonoridade única definida pelo primeiro disco mantém-se (aquela fanfarra entre o México e os Países de Leste continua quase omnipresente) sendo acrescentadas novas camadas instrumentais, com o acordeão, o xilofone e o inevitável piano em claro destaque.

Com este disco denota-se uma tremenda evolução no trabalho de Condon, tanto no enriquecimento da composição como ao nível vocal, e esta é música verdadeiramente de todo o mundo (e logo de nenhuma parte)... A não perder ( 4,5 / 5 )

08 setembro, 2007

Letras : Harry's Circumcision (Lou Reed)


Looking in the mirror Harry didn't like what he saw
The cheeks of his mother the eyes of his father
As each day crashed around him the future stood revealed
He was turning into his parents
The final disappointment
Stepping out of the shower Harry stared at himself
His hairline receding the slight overbite
He picked up the razor to begin his shaving
and thought oh I wish I was different
I wish I was stronger I wish I was thinner
I wish I didn't have this nose
These ears that stick out remind me of my father
and I don't want to be reminded at all
The final disappointment
Harry looked into the mirror thinking of Vincent Van Gogh
and with a quick swipe lopped off his nose
And happy with that he made a slice where his chin was
He's always wanted a dimple
The end of all illusion
Then peering down straight between his legs
Harry thought of the range of possibilities
A new face a new life no memories of the past
and slit his throat from ear to ear
Harry woke up with a cough the stitches made him wince
A doctor smiled at him from somewhere across the room
Son we saved your life but you'll never look the same
And when he heard that, Harry had to laugh
Although it hurt Harry had to laugh
The final disappointment

Lou Reed
Magic and Loss

1992




Nefastamente influenciado pelo Ervi e pelo LR, decidi começar a postar algumas das minhas letras favoritas. No entanto eu terminarei cada uma com algumas observações pessoais (que é para estragar tudo). Para além disso também devo escolher letras que a maior parte das pessoas podem achar de tremendo mau gosto (como esta), mas dizerem-me que o sol brilha e os pássaros cantam não mexe lá muito comigo...

Era inevitável começar com o Lou Reed, porque provavelmente ele é o meu poeta preferido. Tendo em linha de conta que eu normalmente não consigo entender a generalidade da poesia, não sei se isso será muito abonatório a favor dele. O facto é que percebo perfeitamente o que ele nos quer dizer, o que também é capaz de não ser lá muito abonatório a meu favor, dado em alguns casos ele não ser propriamente subtil... A discografia do homem dava para eu lançar postas durante um ano, mas prometo que da próxima vez escolherei uma letra de outra pessoa (mas não necessariamente mais agradável)...

O Chefe Fez Anos


E houve festa ontem...

07 setembro, 2007

O Chefe Faz Anos


Parabéns ao Cowboy
Nesta data perdida
Muitas fellatiodades
Muitos ânus na vida

Hoje é dia de sesta
Batem as nossas palmas (ver LR)
Para o pepino Bruno
Uma salva de almas


06 setembro, 2007

Frida

O que teria sido, ou como teria sido, no CCB?

05 setembro, 2007

Livros : On Chesil Beach (Ian McEwan)

Depois do sublime "Atonement", Ian McEwan continua a maravilhar-me e deprimir-me em doses iguais (não gostava tanto, e não ficava tão down, desde "A Ordem Natural da Coisas" e "A Morte de Carlos Gardel" do nosso Lobo Antunes). McEwan consegue como ninguém cristalizar aqueles momentos em que uma acção, ou omissão, mudam uma vida por completo - e nos deixam a pensar o que teria sido, ou como teria sido, se...

Obrigado, lil'sister. Grande livro, que dá novo significado à expressão "too much, too soon..."

04 setembro, 2007

Os Três da Vidairada


Cócó, Ranheta e Facada - Blog Administrateurs


Tudo o Que Você Não Queria Saber Sobre o BHL em 50 Palavras ou Menos

Arielle Dombasle, talentos múltiplos, mulher nº 3

Tagline: God Is Dead But My Hair Is Perfect

Filósofo, Jornalista, Escritor, Vaidoso, Narcisista, Homem de Negócios, Francês, 3 mulheres oficiais, 59 anos e 16 livros publicados (as boas notícias é que já só temos de levar com mais 14 postas do LR sobre o assunto)


03 setembro, 2007

BD : Persepolis (Marjane Satrapi)


Por vezes, mesmo perante críticas totalmente positivas e absolutamente unânimes, há livros para os quais sinto alguma resistência à compra. Confesso que nunca li o Maus do Art Spiegelman (que é aproximadamente considerada a melhor BD dos tempos modernos), apesar de o ter namorado várias vezes nas livrarias. Penso que a razão principal será o facto de achar o desenho muito simples, repetitivo e pouco apelativo. Este Persepolis ia seguindo o mesmo caminho, mas recentemente, ao cruzar-me com uma edição completa em dois volumes não consegui resistir.

O livro é a auto-biografia da sua autora, desde a sua infância no Irão (de onde é natural) até ao momento em que abandona definitivamente o seu país para se instalar em França (onde ainda hoje reside e onde publicou originalmente esta obra). Pelo caminho assistimos a episódios agridoces que acompanham a história recente do país, desde a Revolução Islâmica até à guerra com o Iraque e que demonstram claramente que a visão actual de grande parte do mundo (que os Iranianos são todos extremistas e terroristas) é completamente desfasada da realidade. O ênfase recaí no entanto na condição de Satrapi de mulher entre as culturas Islâmica e Europeia, e nos problemas que tal lhe acarreta na vivência do mundo que a rodeia.

O que me deixou absolutamente siderado, é a forma como a autora consegue transmitir as suas ideias e emoções, de forma leve mas ao mesmo tempo profunda e muito longe do melodrama que a sua vida poderia dar. Demonstra uma força e uma vontade de viver perante a adversidade que me deixa coberto de vergonha por aquilo que considero problemas no meu dia a dia. Vejo-me portanto obrigado a concordar com o resto do mundo (apesar dos 3 ou 4 anos de atraso) e dizer que tive o prazer de ler uma obra-prima que considero obrigatória para qualquer fã de BD para gente com cérebro...